Pós-copa, o Brasil sob o ponto de vista de um brasileiro e de um mexicano

Por Patrícia Wippel

A Copa das Copas, como ficou conhecido o mundial no Brasil, terminou e deixou um vazio para muitos apaixonados por futebol. Mesmo com o fraco desempenho da Seleção nas últimas etapas e uma goleada histórica, o torcedor não deixou de torcer até o último minuto, na disputa entre Alemanha e Argentina, que consagrou os alemães como tetracampeões.
Mas a Copa não é só feita de futebol. Várias cidades se prepararam há alguns anos para receber este grande evento. Mesmo com a reclamação de obras inacabadas. Mas será que foi essa a impressão de quem foi acompanhar os jogos nos estádios? O Passaporte Oficina foi saber a opinião de dois fanáticos por futebol, um brasileiro e um mexicano.


Para o carioca Marcelo Senra, o futebol é quase uma religião. Acostumado a seguir o Flamengo – seu time de coração – pelo Brasil, não poupou esforços para acompanhar alguns jogos da Copa e conseguiu ingressos para sete partidas: uma em Fortaleza, uma em São Paulo, duas em Belo Horizonte e três no Rio de Janeiro. Como todo brasileiro que sofreu e sentiu um grande alívio ao ver a Seleção classificada, para ele, a disputa nos pênaltis entre Brasil e Chile foi o melhor momento; enquanto a pior decepção, que deve ser uma opinião unânime, foi a derrota humilhante para a Alemanha no estádio do Mineirão lotado, “uma tristeza difícil de explicar e de esquecer”, lamenta.
Mas a Copa vai além dos estádios. Pedimos para os nossos entrevistados que nos dessem uma avaliação geral dos lugares em que eles estiveram. Marcelo se surpreendeu com a organização e também com o bom funcionamento dos transportes públicos nas cidades em que esteve. Apesar de grandes investimentos e obras modernas, ainda é possível perceber o grande contraste social em algumas cidades. “Como sou brasileiro, estou familiarizado com a desigualdade social do país. Em Fortaleza passamos por um corredor em que podemos observar muita pobreza e um povo muito humilde.

Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) – Foto: Fifa

No Rio e em São Paulo os estádios ficam bem próximos das favelas. Não sei como o estrangeiro entende isso”, comenta o viajante. Ainda assim, nada se compara ao sentimento de estar no meio da torcida e poder ter vivenciado o sentimento e a emoção.

O mexicano Rodrigo Vallejo Pumarejo veio ao Brasil conferir a Copa das Confederações no ano passado e retornou ao país para acompanhar o México nas partidas da Copa do Mundo. Desta vez, ele esteve em São Paulo, Natal, Fortaleza, Salvador e Recife e, para ele, a capital baiana o conquistou. “Há muitas coisas para se conhecer como turista, fiquei encantado com a arquitetura da cidade. Além disso, foi muito fácil chegar ao estádio em Salvador”, explica.

Arena Fonte Nova, Salvador (BA) – Foto: Fifa

De acordo com o torcedor mexicano, existem alguns pontos que deveriam ser melhorados, como a infraestrutura e logística para se chegar a alguns estádios. Ele também saliente que algumas obras públicas não tinham sido concluídas em certos setores, como a Arena Corinthians, em São Paulo, que recebeu a abertura da Copa. Mas tudo isso não apaga o grande brilho dos brasileiros, e a qualidade pela qual são conhecidos com a realização deste mundial apenas se confirmou, com destaque para a alegria, a simpatia, a receptividade e a hospitalidade. “Sem dúvida foi a melhor parte da minha estadia. Os brasileiros são ótimos anfitriões”.


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