O Rio de Janeiro visto pelo Morro do Vidigal

Descobri o Rio de Janeiro somente ano passado, um pouco antes de completar meus 26 anos. Apesar de ouvir muitos elogios da cidade maravilhosa – a parte negativa acaba sempre acompanhando os comentários, mas nada que apague o brilho carioca – guardava uma vontade de conhecer o Rio, mas ainda faltava um empurrãozinho para me levar até este destino. Fiz um intercâmbio em 2009, uma oportunidade incrível em que conheci um grande amigo-irmão, malandro como todo bom carioca. Três anos após nosso retorno, ele ainda me cobrava uma visita ao Rio, foi quando cedi aos pedidos e fui com outra amiga, que também fez intercâmbio conosco, para finalmente abraçar a cidade que te recebe de braços abertos.
Foram poucos dias e, por isso, não tive muito tempo de visitar os tradicionais pontos turísticos, mas deu para vivenciar um pouco da alegria e boemia carioca. Gostei tanto que somente em 2013 estive quatro vezes por lá em diferentes épocas e, em cada curta visita, conheci um novo lugar e novas pessoas. Não se esgotam as opções por lá!

Neste ano não resisti e fui à capital carioca durante o feriado de Páscoa. Eu e uma amiga planejamos alguns lugares para visitar. Concordamos que iríamos conhecer o Morro do Vidigal. Tinha visto algumas fotos de amigos, algumas indicações, li bastante sobre alguns aspectos do morro e decidimos que iríamos até lá. Escolhemos o domingo, que amanheceu ensolarado, mas logo ficou nublado. Para nossa tristeza, a névoa insistiu em ficar durante todo o resto do dia.
Saímos do nosso hotel na Lapa, paramos em Copacabana, para realizarmos o meu desejo infantil, mas que deveria ser cumprido: andar de bicicleta pela orla do Leblon/Copa, me sentindo quase na novela das oito. Tentamos alugar uma bicicleta, mas como domingo a orla é fechada e estava uma bela manhã, já não havia mais nenhuma disponível nos bicicletários que passamos. A ideia foi então alugarmos a bicicleta dupla e, no fim, esta foi a opção mais divertida. Recomendo inclusive para famílias!

Após um delicioso suco e uma caipirinha, seguimos rumo ao Vidigal. O taxista nos alertou: “Lá é bem tranqüilo, mas eu não subo até o topo.” Achamos melhor não perguntar o motivo. Paramos e encaramos o morro a pé! Caminhamos muito, passando por bares com música alta, muitos cachorros na rua, mulheres estendendo roupas na laje, exatamente como vemos em filmes e novelas. Subimos e parecia que ainda faltava uma longa caminhada. Decidimos parar na UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), localizada mais ou menos no meio do caminho, e perguntamos se ainda faltava muito e qual a melhor opção para se chegar até lá.

Durante o trajeto vimos alguns táxis subindo e perguntamos também por que alguns iam até o final e outros não. Os policiais primeiro no parabenizaram por conseguir chegar até aquele ponto a pé e disseram que, como o as subidas são muito íngremes, alguns taxistas não sobrem para não desgastar a embreagem. A melhor opção para subir o morro é através de moto-táxi que, pelo o que ouvi, custa R$ 10 todo o trajeto ou com Kombi, que faz o percurso por um valor que varia de R$ 2 a R$ 4. Ambos circulam constantemente pelo morro. Decidimos pela Kombi e chegamos até o Mirante do Arvrão, um lindo albergue, com uma excelente estrutura e que de noite abre espaço para badaladas festas que reúne diversas celebridades (pulamos esta parte). Deparamo-nos com uma das mais belas vistas do Rio, que mesmo com as nuvens tentando esconder, não conseguiu apagar nosso encanto por aquela paisagem.

Almoçamos por lá, que tem a opção do bar Belmonte (Belmontinho), presente em diversos bairros do Rio. Nossa escolha foi o risoto de camarão (a empada de camarão é outra sugestão deliciosa), servido diretamente pelo chef. O cardápio apresenta ótimas opções, mas muitos produtos estavam em falta, devido ao fornecedor (imagino que não deve ser fácil fazer entregas até lá). Recomendo o lugar, boas acomodações, opções gastronômicas e de lazer, e de quebra, um maravilhoso cartão postal do Rio de Janeiro.

Como estávamos em duas meninas, preferimos a visita ao Morro Vidigal durante o dia, mas se estiver em um grupo maior, acho que vale a ida em uma das baladas no local. O policial da UPP também no recomendou uma festa que tem ao pé do morro, que, seguindo o mesmo molde da outra, atrai diversas celebridades.

Com a Copa, li e ouvi comentários de que diversas favelas do Rio adaptaram hotéis e albergues para receber turistas, principalmente os gringos, que entendem que esta é uma forma de vivenciar o espírito carioca. Inclusive já se esgotaram as reservas de diversos estabelecimentos. O turismo nesses locais vem se destacando e ganhando cada vez mais espaço, por proporcionar opções de lazer (festas animadas e diferenciadas) combinadas com belos cenários do Rio e da humildade e simpatia de seus moradores. Vamos aguardar para ver como se a Copa nas favelas também irá nos surpreender!

Patrícia Wippel
Fotos: arquivo pessoal


Conteúdos Relacionados


Comments are closed.