Buenos Aires: arte, música e poesia por todos os lugares

Por Camile Magalhães Grosch
Buenos Aires sempre me pareceu mais que um local encantador. E não me enganei. A cidade é ainda mais bonita do que eu imaginava. Sempre que pensava nessa terra me vinham à cabeça emoções fortes como as que sempre senti ao escutar as músicas de Astor Piazzolla. E foi o que vi aos passar cinco dias nesse lugar surpreendente. Divido com vocês aqui no Passaporte Oficina minhas impressões sobre alguns dos muitos lugares que visitei. Vem comigo!  
– Puerto Madero:
Meu hotel ficava nesse bairro. Aliás, me apaixonei por esse lugar! Que lindo é Puerto Madero! Me contaram que foi construído pelo engenheiro Eduardo Madero em 1887. Parou de funcionar em meados do século 19 e foi abandonado até 1990, quando começou a ser revitalizado. Em Puerto Madero funcionam escritórios de grandes empresas, uma universidade, hotéis de luxo, museus, um cassino flutuante e muitos bares e restaurantes. 
Vale muito passar o final da tarde passeando, comendo, bebendo e conversando nesse lugar. Quando passei por lá a lua estava cheia e linda.  Uma curiosidade é que esse bairro presta uma homenagem às mulheres. As ruas têm nomes de famosas em segmentos como ciências, artes e política. A “Puente de la Mujer” se destaca na paisagem. A obra eh do arquiteto espanhol Santiago Calatrava.  

– Caminito:
Fiquei surpresa com esse lugar que fica no bairro La Boca. Localizado às margens do Riachuelo, foi um bairro de imigrantes, principalmente italianos. O Caminito é a rua mais famosa do bairro.  Na década de 1950, o morador Arturo Carrega decidiu recuperar o terreno onde antes era um estreito arroio.  Carrega convocou o pintor Quinquela Martín, que batizou a rua como “Caminito” pelo título do popular tango de 1926, de Peñalosa e Filiberto. Caminito. Diversos artistas e pintores vendem seus trabalhos aos visitantes. As casas coloridas feitas com materias reutilizados impressionam. Caminhando é possível presenciar shows de tango.


– Shows de Tango:
Fui ao Señor Tango. Dizem que é mais “comercial”, voltado para turistas. Eu sempre gostei deste tipo de dança. Lembro da infância, quando acordava aos fins de semana escutando Astor Piazzola ecoando bem alto pelos corredores da casa. Mas não sou uma expert no assunto. Gostei e me emocionei muito no show que vi. Chorei ao ouvir Adiós Nonino. Chorei ao escutar o som dos bandoneons. Chorei ao ver os bailarinos trançarem as pernas com tanta rapidez, ternura e força no olhar. E voarem sob um céu de estrelas. Sim, eles voam… Acreditem! O cenário e o espetáculo são fantásticos. Então, fica a dica: quem vai a Buenos Aires tem que assistir a um show de tango.

– Recoleta:
O bairro da Recoleta começou em 1871, com a chegada de famílias que queriam escapar da epidemia de febre amarela que atingiu o bairro de San Telmo. As famílias construíram suas casas com estilos arquitetônicos franceses. O bairro é bem agradável. Passei por uma feira muito interessante com todos os tipos de produtos. Fica ao lado do famoso cemitério da Recoleta. Quem visita o cemitério consegue entender porque ele é considerado um verdadeiro museu.  Além das inúmeras obras de arte, estão aqui os restos mortais de personalidades da política, cultura, arte e ciência. Entre eles, Eva Perón, a Evita, que morreu em 1952. Ela era esposa do general Juan Domingo Peron e reconhecida pelo trabalho na área social e pela defesa dos trabalhadores.

– Livraria Ateneo:
Você é um apaixonado por livros e literatura? Então tem que passar por essa livraria. Ela foi escolhida pelo jornal britânico The Guardian como a segunda livraria mais linda do mundo (a primeira é a livraria Selexyz Dominicanen Boekhandel, na cidade holandesa de Maastricht). A de Buenos Aires fica no teatro Ateneo Grand Splendid. A cúpula pintada, as varandas originais, a ornamentação intacta, as cortinas de veludo são destaque, assim como no antigo palco um bar e café. Inacreditável e imperdível!

Jardim Japonês:
Um lugar de paz no meio da cidade. Foi construído em 1967, depois da visita do então príncipe herdeiro do Japão Akihito a Buenos Aires. Está localizado no bairro de Palermo e representa um parque típico do Japão, com lagos e cachoeiras. O jardim tem muitas espécies de plantas. Apesar de ter entrada paga, vale a pena a visita. Lugar perfeito para relaxar em um dia de sol.

– Feira de San Telmo:
Fica oficialmente na Plaza Dorrego, mas as ruas em volta também estão lotadas de gente vendendo souvenirs, pinturas, retratos, pulseiras, mates, livros, roupas e artesanato. É realizada desde 1970 e recebe milhares de pessoas todos os domingos. É famosa pela venda de antiguidades e curiosidades. Uma caminhada por ela é uma verdadeira viagem no tempo. Aliás, vá sem pressa. É muita coisa para ver. Aqui também se encontra tango pela rua. Como não parar para ver e curtir?


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