Além da cerveja verde

Em março o mundo inteiro fica verde e não estamos falando de consciência ambiental. No dia 17 é celebrado o Dia de São Patrício, data conhecida tanto por religiosos como por boêmios. Mais do que a lembrança da morte do santo padroeiro da Irlanda, reconhecido por difundir o cristianismo do país, o dia se tornou uma celebração de toda a cultura irlandesa, fortemente atrelada à religião.



Difundida mundialmente através de festas em bares e pubs e decorações verdes em cartões postais de diversos países, a celebração do Dia de São Patrício ganha força em seu país de origem, mais intensamente na capital da República da Irlanda: Dublin. Diferentemente das festas dos outros países, o “Paddy’s Day” representa muito mais do que apenas um dia de bebedeira. Hoje ele já é um festival com uma série de atrações culturais programadas ao longo do mês de março, concentradas na semana do dia 17. Se pudéssemos comparar com alguma data no Brasil, seria como unir carnaval, Dia da Independência e de Nossa Senhora Aparecida na mesma ocasião.




Tive a sorte de celebrar a data em Dublin, com pessoas de todo o mundo, desde imigrantes a turistas, que se tornam irlandeses de coração não só naquela data, mas para o resto de suas vidas. Para quem pretende passar por esta “Irish Experience”, deixo algumas dicas que considero valiosas:

Acorde cedo: a parada do Dia de São Patrício começa apenas ao meio-dia, mas reúne milhares de pessoas. Antecipe-se e garanta um bom lugar nas calçadas das principais ruas do centro, ou você correrá o risco de ver apenas cartolas verdes na sua frente. Cheguei com duas horas de antecedência e consegui um bom lugar, em frente ao General Post Office, o famoso prédio do serviço postal de Dublin, na O’Connell Street, uma as primeiras ruas do trajeto.



Prepare-se para a chuva: se tem uma coisa que eu aprendi quando morei na Irlanda é “se você deixar de fazer alguma coisa por causa da chuva, você não fará mais nada”. A meteorologia irlandesa varia com muita rapidez e geralmente envolve tempo chuvoso, então é melhor estar preparado. Na ocasião, choveu um pouco antes do desfile iniciar, mas tivemos a sorte de o tempo abrir logo nos primeiros minutos.

Opte por pubs: à tarde, assim que a parada se encerra em frente à St. Patrick’s Cathedral, as pessoas estão livres para comemorar no melhor estilo dublinense: enchendo as ruas e pubs do Temple Bar, que como o nome diz, trata-se de um bairro de bares. Muitos turistas ficam pelas ruas, mas eu não recomendo. Escolha um pub (ou vários) e aproveite a festa por lá. Mesmo com a fama de ter uma população boêmia, não é permitido beber em espaços públicos na Irlanda. Tudo bem que no Dia de São Patrício a Garda (polícia irlandesa) se faz de cega às vezes, mas a proibição continua valendo. Melhor não arriscar. Outro bom argumento: na Irlanda sempre pode chover, mesmo quando a previsão é de sol.
Vire um irlandês: não estou falando apenas de vestir verde e se encher de trevos (e de Guinness). Aproveite a ocasião para incorporar o que os irlandeses têm de melhor. Tire aquela imagem do bêbado brigão da cabeça, eles são super amigáveis, solícitos e divertidos. Conheça a música irlandesa, que costuma tocar nos pubs de forma intercalada com hits de pop e rock (eles amam Oasis) e ensaie uns passos de Ceili. Converse com desconhecidos e surpreenda-se com as histórias de cada um. O meu dia de São Patrício em Dublin não rendeu apenas 15 horas de festa e um pouco de conhecimento em rugby (naquele dia tinha jogo entre Irlanda e Inglaterra), rendeu amigos de todo o mundo, com quem mantenho contato até hoje, histórias divertidíssimas e uma saudade que toma conta de mim sempre que o dia 17 de março se aproxima. A todos que já passaram ou ainda vão passar pela experiência: Sláinte!


Luciana da Cunha
Fotos: Arquivo Pessoal

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